Manhãs de sol
Tenho gravado na memória as cores e as formas das manhãs...
Aquele riso luminoso despertando-me sentidos
O inebriante aroma dos lírios
E nosso reverenciar de girassol!...
Meu pressentimento à primeira vista
O sentimento ao primeiro olhar
O primeiro verso,_ a primeira pista _,
A submissão à ordem de amar.
Sempre ao romper d’aurora
O jardim me convidava a entrar
Pra me deitar na grama
Ou passear pelas veredas.
Às vezes eu só queria pensar
Enquanto olhava no céu as últimas estrelas.
E as ramas gestantes me pediam
Para acalmar os brotos que nasciam.
Eles temiam, respeitosos, ao deus sol
Com seus raios agudos, longos, que os cria e degenera;
E já sabiam-no a profunda imersão
De tua luz de calor imergente
Indispensável para a vida
E a germinação da semente.
Também já sabiam do meu amor,
E eram fieis às minhas confidências.
Sabiam há muito do meu amor!... do riso, da meiguice...
Aquele olhar...a meninice... minha solidão, e minha tolice.
Com a magnitude do meu amor...
Comparavam com afago e o riso tão singelo
Do astro, que por antecedência, ilumina o caminho, o dia
E a sublimidade da deusa das flores
Que vela a florescência das ramarias.
E após clarear o dia e o sol beijar-nos a face radiosa
Uma hastilha sempre me oferecia,
Dentre seus brotos,
A flor mais vaidosa.
E íamos confidentes, íntimos, pelo caminho.
Ela compreendia minha ansiedade
Tínhamos a mesma cumplicidade_ medo dos espinhos._ Ao almejar felicidade.
Então, humilde e inocente a flor vaidosa
Distante da bela haste que a viceja
Diante o olhar da minha estrela
Sentia-se sem graça, sem cor, sem beleza.
Assim também meu húmile coração por vezes murchara
Ao ver que o sol, apesar da profundidade que nos atinge teus longos raios,
Nada extrai das profundezas d’alma,
Apenas nos infiltra tuas chamas ardentes
Que nos dá vida, nos devora, e por fim, definitivamente nos acalma.
Visão Poética: "O chão é cama para o amor urgente, amor que não espera ir para a cama. Sobre o tapete ou duro piso, a gente compõe de corpo e corpo a úmida trama. E para repousar do amor, vamos à cama."
domingo, dezembro 31, 2006
segunda-feira, novembro 27, 2006
Manhãs de sol
Manhas de sol
Na transcendência das luzes pela manhã
Ainda na sonolência dos escuros ramos
Eu, todo dia, colhia flores, fazia versos,
E suspirava falando de amor.
Mas um dia...
_ cri-cri! Falta estilo. Cri-cri! _ Canta o grilo.
E silencia.
Eu segredava às flores a graça do meu sentimento _ minha flor.
E deveras cofiei-las meus inócuos planos
Falei de solidão, de contratempo e desenganos, desamor _ minha dor.
Nota dolente: Tique-taque de tempos e tempos... anos.
Mas um dia...
_ por favor, sem estrilo! Cri-cri. _ canta o grilo.
E silencia.
Quisera gritar ao mundo este amor tão eloqüente
E deixar voar na brisa seu aroma torpente
Para polinizar as almas com sua alegria sã
E com todo afã fazer a florescência deste mundo carente
Com o pólen mágico desta flor anã,
Que eclodira húmile na lucescente manhã.
Mas um dia...
_ belo estribilho! “Cri-cri”. Canta o grilo.
E silencia.
Na divina luminosidade das manhãs de maio,
Tendo as sombras d’aurora para minhas confidências
Eu via, no céu, fulgência de estrelas em desmaio;
E na terra, resplandecência na s pétalas e nos verdes ramos.
E então, em mim, o fervor da vida com tal veemência
Revelava donde viemos, a que viemos e o que somos.
Mas um dia...
“ acorda! “ Canta o grilo, “cri-cri.” e silencia.
Sol _ taça de vida luminosa e inebriante
Que o espírito sorve com imensa sofreguidão
E passeia, esta luz, pelas vias do corpo dolente, já quase morto,
E torna-o convalescente o coração.
Mas um dia...
_Aí tem brilho _canta o grilo _ “cri-cri” _ e silencia.
A natureza artista matiza sua tela divina
Personaliza-se; otimiza a aquarela a cores vivas _ O tempo é de mansidão: equinócio, arranjo de passivas.
Se;
A lua está fresca, o vento cala.
Se estrelas jazem, fica o brilho;
Suave é a noite, a qualquer hora é hora ao nobre andarilho... No homem, o cão, o lobo, o poeta, o grilo, cri-cri, cri-cri; cricrila, cricrila.
Mas um dia...
“Cri-cri!” Canta o grilo. “Cri-cri”.
E silencia.
Uma luz se acendeu para mim
Minh’alma deleita-se num abandono festivo
Uma lucipotência fulgorosa mantem –me vivo
Apesar do agouro silencia o jardim.
Na transcendência das luzes pela manhã
Ainda na sonolência dos escuros ramos
Eu, todo dia, colhia flores, fazia versos,
E suspirava falando de amor.
Mas um dia...
_ cri-cri! Falta estilo. Cri-cri! _ Canta o grilo.
E silencia.
Eu segredava às flores a graça do meu sentimento _ minha flor.
E deveras cofiei-las meus inócuos planos
Falei de solidão, de contratempo e desenganos, desamor _ minha dor.
Nota dolente: Tique-taque de tempos e tempos... anos.
Mas um dia...
_ por favor, sem estrilo! Cri-cri. _ canta o grilo.
E silencia.
Quisera gritar ao mundo este amor tão eloqüente
E deixar voar na brisa seu aroma torpente
Para polinizar as almas com sua alegria sã
E com todo afã fazer a florescência deste mundo carente
Com o pólen mágico desta flor anã,
Que eclodira húmile na lucescente manhã.
Mas um dia...
_ belo estribilho! “Cri-cri”. Canta o grilo.
E silencia.
Na divina luminosidade das manhãs de maio,
Tendo as sombras d’aurora para minhas confidências
Eu via, no céu, fulgência de estrelas em desmaio;
E na terra, resplandecência na s pétalas e nos verdes ramos.
E então, em mim, o fervor da vida com tal veemência
Revelava donde viemos, a que viemos e o que somos.
Mas um dia...
“ acorda! “ Canta o grilo, “cri-cri.” e silencia.
Sol _ taça de vida luminosa e inebriante
Que o espírito sorve com imensa sofreguidão
E passeia, esta luz, pelas vias do corpo dolente, já quase morto,
E torna-o convalescente o coração.
Mas um dia...
_Aí tem brilho _canta o grilo _ “cri-cri” _ e silencia.
A natureza artista matiza sua tela divina
Personaliza-se; otimiza a aquarela a cores vivas _ O tempo é de mansidão: equinócio, arranjo de passivas.
Se;
A lua está fresca, o vento cala.
Se estrelas jazem, fica o brilho;
Suave é a noite, a qualquer hora é hora ao nobre andarilho... No homem, o cão, o lobo, o poeta, o grilo, cri-cri, cri-cri; cricrila, cricrila.
Mas um dia...
“Cri-cri!” Canta o grilo. “Cri-cri”.
E silencia.
Uma luz se acendeu para mim
Minh’alma deleita-se num abandono festivo
Uma lucipotência fulgorosa mantem –me vivo
Apesar do agouro silencia o jardim.
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