Coroai-me,
Flor menina,
Coroai-me;
Nesta noite coroai-me.
Coroai-me com teu olhar
Mesmo que seja um olhar furtivo;
Mesmo que seja apenas um flerte
Desses que nos deixa inibidos e cheio de dúvidas;
Desses, que nos faz suspirar sem razão;
Simplesmente por ser esta razão superior e mais pura, inalcançável ao nosso entendimento.
Um flerte!... Desses que por si sacodem o silêncio com voz de trovão
E somente a alma o ouve como fosse melodia.
Coroai-me, flor menina, nessa noite,
Coroai-me com teu sorriso
Com esse sorriso que só teu olhar possui.
Corroai-me de pétalas
Essas pétalas que como raio escapam dos seus olhos e clareia minha existência.
Ah! Essa esperança...
Essa esperança oblíqua
Nessa espera iníqua
Nesse desejo profundo,
Sobrevivente das malícias do mundo,
De sentimentos profanos e imundos, que condenam a beleza da inocência de um sentimento tão puro.
Coroai-me, nessa noite, flor menina,
Com tua presença e teu riso discreto e tímido...
Não se perturbe por mim, não por mim,
Apenas fique, aqui, quieta como sempre
Mas com certeza a minha noite se iluminará.
E deixe que meus olhos guardem n’alma toda tua sublime essência
Como lembranças e espanto de um eclipse.
Visão Poética: "O chão é cama para o amor urgente, amor que não espera ir para a cama. Sobre o tapete ou duro piso, a gente compõe de corpo e corpo a úmida trama. E para repousar do amor, vamos à cama."
quarta-feira, agosto 01, 2007
sexta-feira, julho 27, 2007
A minha vida é um barco abandonado
A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
Assinar:
Comentários (Atom)
Simples assim