Gira, gira, gira terra
Dá-me noite
Dá-me dia
Equinócio de outono e primavera
Dá-me luz e alegria.
Gira, gira, gira terra, gira!...
Translada o todo por inteiro
Que não percas Coaracy
Faz-se tempo tempo inteiro.
Eu também vou girando, girando...
Às bordas dessa ciranda má.
Sou um grão nessa cadência
E quem joeira?..
_ Sabe-se lá!
Cada vida é um verso
Num poema, uníssono, sem fim
E cada átomo do universo
Num átimo chega ao fim.
A cada ismo _ dogma _ que se cria
Um deus se diviniza
A cada nova teopsia
A Deus verdadeiro se dizima.
Por isso gira; gira terra, gira!
Enamora-se do sol
Não se deixe anoitecer
Não perca a ópera
Não perca a órbita,nem o perca,
Não se perde um bem querer.
Eis que vivo, agora, girando, girando...De sol a sol,
Por mais querer,
Aquecer-me d’outro sol
Por querer mais-que-querer.
Visão Poética: "O chão é cama para o amor urgente, amor que não espera ir para a cama. Sobre o tapete ou duro piso, a gente compõe de corpo e corpo a úmida trama. E para repousar do amor, vamos à cama."
sábado, agosto 11, 2007
sexta-feira, agosto 10, 2007
Bocas Roxas - Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)
Bocas roxas de vinho,
Testas brancas sob rosas,
Nus, brancos antebraços
Deixados sobre a mesa;
Tal seja, Lídia, o quadro
Em que fiquemos, mudos,
Eternamente inscritos
Na consciência dos deuses.
Antes isto que a vida
Como os homens a vivem
Cheia da negra poeira
Que erguem das estradas.
Só os deuses socorrem
Com seu exemplo aqueles
Que nada mais pretendem
Que ir no rio das coisas.
Testas brancas sob rosas,
Nus, brancos antebraços
Deixados sobre a mesa;
Tal seja, Lídia, o quadro
Em que fiquemos, mudos,
Eternamente inscritos
Na consciência dos deuses.
Antes isto que a vida
Como os homens a vivem
Cheia da negra poeira
Que erguem das estradas.
Só os deuses socorrem
Com seu exemplo aqueles
Que nada mais pretendem
Que ir no rio das coisas.
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