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sábado, agosto 11, 2007

Equinócio

Gira, gira, gira terra
Dá-me noite
Dá-me dia
Equinócio de outono e primavera
Dá-me luz e alegria.

Gira, gira, gira terra, gira!...
Translada o todo por inteiro
Que não percas Coaracy
Faz-se tempo tempo inteiro.

Eu também vou girando, girando...
Às bordas dessa ciranda má.
Sou um grão nessa cadência
E quem joeira?..
_ Sabe-se lá!

Cada vida é um verso
Num poema, uníssono, sem fim
E cada átomo do universo
Num átimo chega ao fim.

A cada ismo _ dogma _ que se cria
Um deus se diviniza
A cada nova teopsia
A Deus verdadeiro se dizima.

Por isso gira; gira terra, gira!
Enamora-se do sol
Não se deixe anoitecer
Não perca a ópera
Não perca a órbita,nem o perca,
Não se perde um bem querer.

Eis que vivo, agora, girando, girando...De sol a sol,
Por mais querer,
Aquecer-me d’outro sol
Por querer mais-que-querer.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Bocas Roxas - Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)

Bocas roxas de vinho,
Testas brancas sob rosas,
Nus, brancos antebraços
Deixados sobre a mesa;
Tal seja, Lídia, o quadro
Em que fiquemos, mudos,
Eternamente inscritos
Na consciência dos deuses.
Antes isto que a vida
Como os homens a vivem
Cheia da negra poeira
Que erguem das estradas.
Só os deuses socorrem
Com seu exemplo aqueles
Que nada mais pretendem
Que ir no rio das coisas.
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Simples assim

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