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quarta-feira, agosto 15, 2007

O verso de hoje _ Para a minha estrela do sul...

Por uma dor de ontem.
_ Versos à Márcia.

Ah! Essas rimas surdas
Às vezes sonoras
Às vezes sujas...
Outras tantas absurdas;
Quais teimam conjugar-se no infinitivo tempo
Casar mê com lhê
Em frase solta e impotente
Cujo clã é passado
E jamais será presente.

Prole conjugada ao vento
Na voz secular da plêiade boêmia,
Sobreviventes de tempos e tempos,
Canta dores eternas e eternos gozos
Dos gozos nossos, gozos mudos,
Gozos de noites e ventos
Qual nunca se teve e nunca teremos.

O gênero sempre muda
Menos a forma e a perfeição;
Contudo cantam nobres versos
Apenas dor, pobreza e solidão;
Vagueiam espectros
A ritmo de passos nômades
À pena de condor, ave forasteira,
Dispersos dos Andes.

Donde viemos não importa
Se de uma janela
Se de uma porta
O que importa é o tempo
A partida e a chegada
Ou vice-versa;
Não importa a estadia
A vida sempre corre depressa.
O que importa ao verso é a música
E a alma cuja voz o expressa.

terça-feira, agosto 14, 2007

Dom

Ó viajem! Ó veleiro galáctico, meu coração!
A viajar nos pampas do espaço,
Noite após noite,
A procura de uma estrela para minha escuridão.

Nessas horas solitárias,
Em que vagueia a lua pela madrugada
Beijando flores recém-nascidas, semimuas, e nuas...
Nas densas florestas e minúsculos jardins,
De vias públicas e secretas veredas,
Tristes são as ruas...
Com o queixo apoiado na mão,
Cotovelo a perfurar dolorido fêmur,
Ou mãos segurando o cérebro sob o peso do que penso...
Absorvo cauteloso o pensamento
Concentro-me na essência desse silêncio
No qual guardo os sentimentos mais profundos e
Capturo da lua e das estrelas a luz
Qual fulgência fizera-me sonhar feliz
Enquanto meus olhos visualizavam estranho mundo...
Onde a encontrei.
Temos senhas e nomes: Eu?
_Raykiss, Lheguelhé, Ray poetray.
Ela?... Não sei.

Insânia; Ou sanidade pagã, certos atos
Que não são reais nem fantasias
Porém chega ser a única alegria dum’alma aflita.

Insanidade pura,
De poder de sedução,
O brilho do olhar e os céus dos olhos
Na meiga face da ilusão.
Ilusão de quem lê,
Ilusão também daquele que digita.

Insanidade sã essa beleza pagã
Que vejo nos céus virtuais
A flutuar nas páginas adornadas de uma moderna escuridão
Que em códigos digitais se formam como estrela da manhã.

Olhares e faces
Afetos e desafetos
Mentes e mentes
Insanas e sãs
Mas que guardam detrás da negra cortina, em si, um coração.

Verdes pâmpanos a adornar seu corpo
Em vez de braços em abraços e lençóis brancos
Enrolas no vazio complexo da Internet
O trauma, a desilusão, a esperança...
E se aquece e se esquece ao próprio calafrio.
E sem apego a carências de si mesma se entrega
Enquanto a noite passa lentamente
E a lua se perde no infinito escuro de azul;
Mas aqueces outras almas carentes
Nos quatro cantos do mundo
Muito além das Américas
Muito além dos pampas do Sul,
Muito além do sono e do silêncio profundo.

Amor estranho, o amor tão distante:
... Amor virtual, futurista, amor turista.
Amor de carnaval.
Amor de Otelo,
Amor e Mítia
_ Título de Dom.
Título que passa
Amor de ressaca
Amor praiano
Amor de Capitu
_ Rainha sem rei.
Amor de Dama
Amor... Amor de dom,
De Dom Poetray.
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