Pensava em ti nas horas de tristeza,
Quando estes versos pálidos compus,
Cercavam-me planícies sem beleza,
Pesava-me na fronte um céu sem luz.
Ergue este ramo solto no caminho.
Sei que em teu seio asilo encontrará.
Só tu conheces o secreto espinho
Que dentro d'alma me pungindo está.
Fagundes Varela
Aves, é primavera! à rosa! à rosa!
Tomás Ribeiro
Obas: Do livro Espumas Flutuantes _ Castro Alves.
Visão Poética: "O chão é cama para o amor urgente, amor que não espera ir para a cama. Sobre o tapete ou duro piso, a gente compõe de corpo e corpo a úmida trama. E para repousar do amor, vamos à cama."
domingo, agosto 19, 2007
quinta-feira, agosto 16, 2007
O mundo sem Platero
Que saudades de Platero!
Que saudade, Platero! Que saudade!...
Saudades das nossas andanças
Nossos segredos
Nossas críticas
Nossa visão do mundo;
Dos seres e coisas
Do estado do Estado do estado...
Visto, dito, e adotado,
Surgindo num azul profundo
E se lançando aos horizontes sonhados
Com todas as tênues cores do mundo.
Mas o mundo, apesar do verde, do verde, do verde... nunca amadurece.
Nossas crianças ainda morrem desnutridas
E nossos velhos heróis ainda padecem.
Saudade das crianças!
Nossas guerras de frutos e flores
Nossas desavenças e nossos amores.
E a umbrosa árvore do nosso descanso
Onde deitávamos a mirar nuvens
Ou balouçávamos nos galhos num suave remanso.
Lembro-me das amoras, tão doces!
E nossas bocas sorridentes e roxas.
Lá dorme Platero!...E eu com ele!
E eu com ele!...
Num sono profundo; sonhando...
Sonhando e sorrindo.
Sonhando que bebe estrelas
Pasmo por a si mesmo se ver no fundo do poço de água cristalina.
Lá, ele ainda vagueia a pascer,
E o campo é amplo, verde e denso,
E as suculentas gramíneas verdejam
E nunca deixam de crescer;
Crescem, crescem, nas serras e veigas...
À margem corre o rio imenso.
Platero ainda cheira a flores: De parreira...
De capim, de cerejeira, de morango, de crianças;...
Sempre flores! Rosas, amoras e oliveiras.
_ Seu cheiro é eterno!
E seu dorso ainda vermelho
Com aroma de morango
Num misto agridoce de cereja
Carreando o bem-te-vi,
Hora o sabiá, o cuco e o gavião.
Enquanto eu, preguiçoso, vôo mais alto
Além da nuvem em formação.
Nossas histórias...
Só nós sabemos que foram vividas.
E a tísica? a do leite de cachorra;
E a volta pra casa!
... Só tu não voltas Platero!
Mas tu estás comigo. Cada vez mais comigo!
Nunca o senti distante; e sim,
Cada vez mais próximo.
Nunca o senti como um burro, Platero, bem sabes,
Sempre o tive como melhor amigo.
E após tal perda e esta solidão
És ainda mais que amigo
És minha metade de vida, meu legítimo irmão!
E as beatas com vestes de missa temendo o lamaçal?
A carruagem enguiçada? _ aquela da humilde família em mudança!
Lembra-te da laranja? A sua!
... E o sorriso meigo daquela criança?!
Fizeste o gesto mais nobre, Platero, que já vi em toda minha vida.
Mas eu me lembro de todos os seu gesto, todos;
E suas dores, por mim ainda são sentidas.
Ah! Aquela sanguessuga! Tive muita pena de ti. Quanta aflição!
E aquele espinho que perfurou sua pata ainda parece furar meu coração.
Ainda queimam Judas.
Ainda enfeitam ruas na véspera da paixão.
Ainda fazem folias e catam à espera de ressurreição.
Ainda queimam Judas...
E tantos Judas ressuscitam.
Só os cristos sempre morrem
E levam consigo a esperança de salvação.
Do alto da minha colina eu vejo tudo.
Eu vejo com os meus e os teus olhos.
Os olhos humanos cada vez mais se cegam
Porque os olhos cegos nunca e enganam.
Contudo, Platero, vale a pena viver.
Ainda se vê primaveras
E após as quaresmeiras florescem os ipês.
E as poucas florestas que restam são vistas
São defendidas por anônimos e artistas.
E fotografadas por turistas
Certamente jamais irão morrer.
Mesmo assim vale viver, vale muito a pena viver!
Pois ainda há quem faça poesia
Há quem fala às flores
Há quem aprende com as águas e suspiram
E solidários despoluem seus odores.
Ah, Platero!... Nossos atalhos, nossos desvios, não nos leva a lugar nenhum.
Tudo que temos é o que somos
E o que o mundo nos tem de igual em comum.
Somos eternos peregrinos
Andando não se sabe pra onde,
Só sabemos que vamos
Colhendo daqui e dali
E no fim nada levamos.
As fugas das estradas
Nossos improvisados trilhos
Nossa ânsia por voar
De menino para homem
De pai para filho
E de velho outra vez menino...
Nós somos apenas poeira
E qual estrelas, para quem teve o céu,
O céu guarda seu brilho.
O canário a cantar na copa das oliveiras
Guarda no canto o canto que procuro
E juro, amigo, não há no mundo maior e mais belo estribilho
Do que o canto da noite a dispersar-se o escuro.
Meus cabelos já não são mais grisalhos...
Minha fronte teima em declínio...
Declinam para a irrealidade.
Meus olhos vêem cores guardadas
Cores vivazes impressas na cortina da saudade.
O seu pelo dourado ao sol, que lindo brilho!
Nunca mais vi graça em andanças
Hoje sou apenas um andarilho.
Vejo o mundo por uma estranha janela
E tudo se passa num segundo;
Meu mundo é um espaço virtual
E eu universo, um quintal sem entrada e sem fundos.
Acho mesmo que me deitei contigo, aí.
Aí, nesse poço de estrelas...
Nesse vácuo
Nesse breu abaixo
Abaixo desteoutro submundo.
Obs: Este foi um texto produzido sem nenhuma intenção de avaliação ou descrição real da obra literária; trata-se simplesmente de uma brincadeira de um amador que, a propósito é grande admirador da fantástica obra poética de (Juan Ramón Jiménez): "Platero & Eu".
Que saudade, Platero! Que saudade!...
Saudades das nossas andanças
Nossos segredos
Nossas críticas
Nossa visão do mundo;
Dos seres e coisas
Do estado do Estado do estado...
Visto, dito, e adotado,
Surgindo num azul profundo
E se lançando aos horizontes sonhados
Com todas as tênues cores do mundo.
Mas o mundo, apesar do verde, do verde, do verde... nunca amadurece.
Nossas crianças ainda morrem desnutridas
E nossos velhos heróis ainda padecem.
Saudade das crianças!
Nossas guerras de frutos e flores
Nossas desavenças e nossos amores.
E a umbrosa árvore do nosso descanso
Onde deitávamos a mirar nuvens
Ou balouçávamos nos galhos num suave remanso.
Lembro-me das amoras, tão doces!
E nossas bocas sorridentes e roxas.
Lá dorme Platero!...E eu com ele!
E eu com ele!...
Num sono profundo; sonhando...
Sonhando e sorrindo.
Sonhando que bebe estrelas
Pasmo por a si mesmo se ver no fundo do poço de água cristalina.
Lá, ele ainda vagueia a pascer,
E o campo é amplo, verde e denso,
E as suculentas gramíneas verdejam
E nunca deixam de crescer;
Crescem, crescem, nas serras e veigas...
À margem corre o rio imenso.
Platero ainda cheira a flores: De parreira...
De capim, de cerejeira, de morango, de crianças;...
Sempre flores! Rosas, amoras e oliveiras.
_ Seu cheiro é eterno!
E seu dorso ainda vermelho
Com aroma de morango
Num misto agridoce de cereja
Carreando o bem-te-vi,
Hora o sabiá, o cuco e o gavião.
Enquanto eu, preguiçoso, vôo mais alto
Além da nuvem em formação.
Nossas histórias...
Só nós sabemos que foram vividas.
E a tísica? a do leite de cachorra;
E a volta pra casa!
... Só tu não voltas Platero!
Mas tu estás comigo. Cada vez mais comigo!
Nunca o senti distante; e sim,
Cada vez mais próximo.
Nunca o senti como um burro, Platero, bem sabes,
Sempre o tive como melhor amigo.
E após tal perda e esta solidão
És ainda mais que amigo
És minha metade de vida, meu legítimo irmão!
E as beatas com vestes de missa temendo o lamaçal?
A carruagem enguiçada? _ aquela da humilde família em mudança!
Lembra-te da laranja? A sua!
... E o sorriso meigo daquela criança?!
Fizeste o gesto mais nobre, Platero, que já vi em toda minha vida.
Mas eu me lembro de todos os seu gesto, todos;
E suas dores, por mim ainda são sentidas.
Ah! Aquela sanguessuga! Tive muita pena de ti. Quanta aflição!
E aquele espinho que perfurou sua pata ainda parece furar meu coração.
Ainda queimam Judas.
Ainda enfeitam ruas na véspera da paixão.
Ainda fazem folias e catam à espera de ressurreição.
Ainda queimam Judas...
E tantos Judas ressuscitam.
Só os cristos sempre morrem
E levam consigo a esperança de salvação.
Do alto da minha colina eu vejo tudo.
Eu vejo com os meus e os teus olhos.
Os olhos humanos cada vez mais se cegam
Porque os olhos cegos nunca e enganam.
Contudo, Platero, vale a pena viver.
Ainda se vê primaveras
E após as quaresmeiras florescem os ipês.
E as poucas florestas que restam são vistas
São defendidas por anônimos e artistas.
E fotografadas por turistas
Certamente jamais irão morrer.
Mesmo assim vale viver, vale muito a pena viver!
Pois ainda há quem faça poesia
Há quem fala às flores
Há quem aprende com as águas e suspiram
E solidários despoluem seus odores.
Ah, Platero!... Nossos atalhos, nossos desvios, não nos leva a lugar nenhum.
Tudo que temos é o que somos
E o que o mundo nos tem de igual em comum.
Somos eternos peregrinos
Andando não se sabe pra onde,
Só sabemos que vamos
Colhendo daqui e dali
E no fim nada levamos.
As fugas das estradas
Nossos improvisados trilhos
Nossa ânsia por voar
De menino para homem
De pai para filho
E de velho outra vez menino...
Nós somos apenas poeira
E qual estrelas, para quem teve o céu,
O céu guarda seu brilho.
O canário a cantar na copa das oliveiras
Guarda no canto o canto que procuro
E juro, amigo, não há no mundo maior e mais belo estribilho
Do que o canto da noite a dispersar-se o escuro.
Meus cabelos já não são mais grisalhos...
Minha fronte teima em declínio...
Declinam para a irrealidade.
Meus olhos vêem cores guardadas
Cores vivazes impressas na cortina da saudade.
O seu pelo dourado ao sol, que lindo brilho!
Nunca mais vi graça em andanças
Hoje sou apenas um andarilho.
Vejo o mundo por uma estranha janela
E tudo se passa num segundo;
Meu mundo é um espaço virtual
E eu universo, um quintal sem entrada e sem fundos.
Acho mesmo que me deitei contigo, aí.
Aí, nesse poço de estrelas...
Nesse vácuo
Nesse breu abaixo
Abaixo desteoutro submundo.
Obs: Este foi um texto produzido sem nenhuma intenção de avaliação ou descrição real da obra literária; trata-se simplesmente de uma brincadeira de um amador que, a propósito é grande admirador da fantástica obra poética de (Juan Ramón Jiménez): "Platero & Eu".
Assinar:
Comentários (Atom)
Simples assim