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sexta-feira, janeiro 15, 2016

Embora chovesse

Saímos.
E chovia.
O encanto pediu trégua, esperou, mas o céu lhe negara.
Reforcei o pedido aos anjos que julguei competentes, pois sempre confiei na minha fé.
Ainda assim chovia.

Nem me dei conta de que anjo com anjos se entendem.
E eu, pobre mortal, que não sei falar a língua dos anjos, desanimei.

Ela, o meu encanto, certamente conhece a sua missão e não reclama do tempo nem ignora compromissos.
Quanto a mim, que sonho demais, sempre peço muito, muito além do merecimento. Pedi sol, mas já era vinda a noite; portanto saímos enquanto ainda chovia.

Lado a lado caminhamos, a passos lentos seguíamos.
Seguimos, assim, como bons amigos, suponho.

E eu olhando seus lindos pés sendo beijados por pérolas celestiais invejei até a chuva que driblava a sombrinha e tocava seu corpo bonito. Lindo, perfeito.

Observei a delicadeza dos seus passos, seus movimentos e o ritmo do seu caminhar. Mas como sempre meus olhos procuravam sua face, aquele sorriso e aquele olhar. Ali é onde mais gosto de contemplar.
Aquela face, aquele olhar... Ali contém uma mansidão de céu profundo, de infinito, de paz noturna, de agradável melancolia, de sol e mar...

Ela, certo momento me fitou e sorriu. Fiquei maravilhado, em êxtase.

E meu coração acelerado se esquecia do seu dever para com o meu frágil corpo. Entorpecido e tenso, por um instante faltara-me ar e os olhos lacrimaram.

Meu encanto...
E teve crepúsculo. E o dia se fizera lindo. Juro.

Juro que vi estrelas, e uma estranha sinfonia dilatara-me os poros. E eu me senti extremamente feliz em meio a tantas fusões de fenômenos incomuns.

Embora chovesse, pois ainda assim chovia fininho, o tempo era divino.
Foi então que descobri que para estar feliz independe do tempo, da hora, da estação e do lugar; basta tê-la ao meu lado.

É, mesmo que ela não esteja completamente comigo, ela dá sentido à minha vida...
Por isso eu a amo.

              (14/01/2016 _ ao sair do trabalho com L.S)

sexta-feira, janeiro 08, 2016

No oito às 14:00_retrato





À hora do almoço cessa a aflição.
Esqueço planilhas, segurança e compromissos.
É tempo de descanso.

A vaidade alimenta o orgulho e o contentamento oculta o nervosismo; assim se equilibra o homem vivido.

Às vezes as emoções se revezam.
O homem que anda tem os pés no chão, mas sua alma flutua.

Todos os olhares perseguem a beleza, ele atravessa, passo a passo, lado a lado com o encanto.

O que posso eu querer mais além de salada, arroz e feijão?
A inveja passa voando, da meia volta e paira sobre mim, mas é ruim de mira.
Outro pássaro gigante me assusta, mas não é ave de rapina.
Predadores rondam, miram, espiam.

O brilho da estrela ofusca a juventude e o sol escaldante desafia-lhes a fantasias.
_ Atravessemos a rua.
_ Vamos.

A mesa é farta.
Tem molho pra todo gosto
E legume combina com tudo.
Preferimos peixe, purê e maionese.
Dispensamos sobremesa.

Quisera ser cavalheiro, segurar a cadeira, provar e aprovar um bom vinho... quem sabe um dia.
Flores sempre hão de existir, um beijo na mão, uma música, uma poesia...
Quem sabe um dia.

“É duro não saber em qual ponto a gente se encontra no tempo.”, pensei, mirando aqueles olhos.
Metáforas
“Morrer de sede em frente ao mar...” _ Djavan.
“Será que é feliz? Qual será o seu maior sonho?”
Se eu pudesse ler sua mente e penetrar seu coração...

Cotovelos na mesa
Inquieta.
O olhar busca uma lembrança.

E disfarço minha desilusão e sufoco meu desespero.
Então a interroguei, passado e futuro.
Mas o que eu queria mesmo era o presente.
O presente e seu olhar
O presente e seus lábios, seu abraço, pra sempre tão boa companhia.

Cotovelos na mesa
O olhar busca uma lembrança.
Este é o momento, pensei, eu te amo! Eu te amo! Eu te amo!...

E antes das 15:00:...
A conta
Chiclete
Afazeres.

No fim do dia agradecimentos.
E por ser sexta já sinto saudades.



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