Manhas de sol
Na transcendência das luzes pela manhã
Ainda na sonolência dos escuros ramos
Eu, todo dia, colhia flores, fazia versos,
E suspirava falando de amor.
Mas um dia...
_ cri-cri! Falta estilo. Cri-cri! _ Canta o grilo.
E silencia.
Eu segredava às flores a graça do meu sentimento _ minha flor.
E deveras cofiei-las meus inócuos planos
Falei de solidão, de contratempo e desenganos, desamor _ minha dor.
Nota dolente: Tique-taque de tempos e tempos... anos.
Mas um dia...
_ por favor, sem estrilo! Cri-cri. _ canta o grilo.
E silencia.
Quisera gritar ao mundo este amor tão eloqüente
E deixar voar na brisa seu aroma torpente
Para polinizar as almas com sua alegria sã
E com todo afã fazer a florescência deste mundo carente
Com o pólen mágico desta flor anã,
Que eclodira húmile na lucescente manhã.
Mas um dia...
_ belo estribilho! “Cri-cri”. Canta o grilo.
E silencia.
Na divina luminosidade das manhãs de maio,
Tendo as sombras d’aurora para minhas confidências
Eu via, no céu, fulgência de estrelas em desmaio;
E na terra, resplandecência na s pétalas e nos verdes ramos.
E então, em mim, o fervor da vida com tal veemência
Revelava donde viemos, a que viemos e o que somos.
Mas um dia...
“ acorda! “ Canta o grilo, “cri-cri.” e silencia.
Sol _ taça de vida luminosa e inebriante
Que o espírito sorve com imensa sofreguidão
E passeia, esta luz, pelas vias do corpo dolente, já quase morto,
E torna-o convalescente o coração.
Mas um dia...
_Aí tem brilho _canta o grilo _ “cri-cri” _ e silencia.
A natureza artista matiza sua tela divina
Personaliza-se; otimiza a aquarela a cores vivas _ O tempo é de mansidão: equinócio, arranjo de passivas.
Se;
A lua está fresca, o vento cala.
Se estrelas jazem, fica o brilho;
Suave é a noite, a qualquer hora é hora ao nobre andarilho... No homem, o cão, o lobo, o poeta, o grilo, cri-cri, cri-cri; cricrila, cricrila.
Mas um dia...
“Cri-cri!” Canta o grilo. “Cri-cri”.
E silencia.
Uma luz se acendeu para mim
Minh’alma deleita-se num abandono festivo
Uma lucipotência fulgorosa mantem –me vivo
Apesar do agouro silencia o jardim.
Visão Poética: "O chão é cama para o amor urgente, amor que não espera ir para a cama. Sobre o tapete ou duro piso, a gente compõe de corpo e corpo a úmida trama. E para repousar do amor, vamos à cama."
segunda-feira, novembro 27, 2006
sexta-feira, outubro 27, 2006
Simples assim
Simples assim.
Se tu és feliz ou não , não sei!
Que és amada, sim!
Só posso falar por mim,
- Desde o primeiro olhar te amei!
Tão simples! Mineiro diante do mar
Contemplando o sol,
Boquiaberto, pasmo.
Pasmo pelo esplendor do nascer ou do ocaso
Tendo a alma extasiada
Pelo encanto deste primeiro orgasmo.
Pasmo. Pasmo por perceber que a vida vai além,
E logo ali, detrás da serra,
Além do além,
Onde o olhar no azul encerra
O início d’outro além,
há esplendores e esplendores,
de sóis-nascentes e sol-pores,
há mares, há luzes, livres,
a gozo de infinitos amores.
Simples assim:
Do nascente ao pôr-do-sol!
Sem falar da noite,
Do silêncio, da paz, da lua e das estrelas,
Sem falar dos sonhos,
E outras formas de vê-la.
Sem falar do mar... dos horizontes... do teu olhar...
Simples assim!
Sem falar de ti,
Sem falar de mim,
E sem se quer agente...
Ray
24/10/2006
21:50
Se tu és feliz ou não , não sei!
Que és amada, sim!
Só posso falar por mim,
- Desde o primeiro olhar te amei!
Tão simples! Mineiro diante do mar
Contemplando o sol,
Boquiaberto, pasmo.
Pasmo pelo esplendor do nascer ou do ocaso
Tendo a alma extasiada
Pelo encanto deste primeiro orgasmo.
Pasmo. Pasmo por perceber que a vida vai além,
E logo ali, detrás da serra,
Além do além,
Onde o olhar no azul encerra
O início d’outro além,
há esplendores e esplendores,
de sóis-nascentes e sol-pores,
há mares, há luzes, livres,
a gozo de infinitos amores.
Simples assim:
Do nascente ao pôr-do-sol!
Sem falar da noite,
Do silêncio, da paz, da lua e das estrelas,
Sem falar dos sonhos,
E outras formas de vê-la.
Sem falar do mar... dos horizontes... do teu olhar...
Simples assim!
Sem falar de ti,
Sem falar de mim,
E sem se quer agente...
Ray
24/10/2006
21:50
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